sábado, 21 de março de 2020

O Jogo

Em 1986, tínhamos na 3ª Cia do 9ª BPM, um time de futebol formado por Cb e Sd, quase imbatível, uma das melhores safras produzidas na Escola de Formação, que mesclava aos demais existentes na Companhia, sagrou-se diversas vezes Campeão, nas competições nas quais tomou parte.
Na final memorável contra o 1º BPM, no estádio da APM, devido a campanha ao longo do torneio, era preciso só um empate para sermos campeões.
Foram tomadas todas as providências para a equipe obter o êxito almejado, tais como: dispensa do serviço, alojamento para concentração da equipe, alimentação especial.
O jogo tava uma “fumaceira”, as duas equipes jogando pelo pão, iam na bola com gana e “téson de voluntad” como dizem os castelhanos. Terminando o primeiro tempo zero a zero.
No segundo tempo, aos 15 minutos, foi marcado um pênalti duvidoso contra nós e 1x0, para os homens.
Inferiorizado no placar, providenciei na substituição de um meio campista, por mais um atacante, que pro causo, era um Sd indisciplinado, vida torta, mas de bola sabia tudo e mais um pouco.
Aos 46 min, já nos descontos, ela apanhou a bola no nosso campo, driblou meio time adversário, deu um chapéu no goleiro, ficando com o gol escancarado para o empate.
Súbito, veio da arquibancada, um grito:
_ Chuta em gol, Negão!
O nosso craque, reconhecendo a voz do Cmt, que prestigiava o jogo, lembrou-se das cadeias e prontamente, ficou em posição de sentido.
_ Sim senhor, Cmt!
Tempo suficiente para o goleiro se recuperar, apanhar a bola, o juiz terminar o jogo e nós perdermos o torneio.

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Agradecimento -Passagem para a Reserva

   
        Ao fechar um ciclo da vida funcional com a transferência para a reserva altiva, não poderia deixar de maneira alguma registrar o meu profundo agradecimento para todos que de uma forma ou outra me ajudaram a trilhar o caminho na reta final de minha carreira como Brigadiano.

       O filme que passa na nossa cabeça não é só figura de retórica, lembranças do guri imberbe levado pela mão de um “cabo velho” naquele outono de 1982, para fazer os teste para inclusão na BM,a ti meu pai, bato sempre uma continência eterna. E sei que de onde estás posso te dizer que mossa missão foi cumprida,  teu nome foi resgatado e colocado com a dignidade que sempre mereceste ter..

        À Minha Mãe, mulher de fibra, que quando os tempos sombrios vieram soube com dignidade, criar cinco filhos. Homens e mulheres que não desvirtuaram, visto que as tentações do mundo são muitas.
        À minha Esposa Nara, minha companheira nas horas tristes e alegres, e principalmente parceira, e testemunha de quantas perseguições sofridas, por     sermos casados, e muitos por maldade, colocando empecilhos para que não trabalhássemos juntos, brigadiana de fibra, nascida num Posto da BM  num fundo de campo, as palavras são poucas para agradecer, quantas vezes, estiveste junto comigo para que eu não “enfiasse os pés pelas mão”. Obrigado.

      Aos filhos Priscylla, Allysson e Eliasson, que muitas vezes tiveram que cumprir expediente junto conosco, por não ter com quem deixá-los e dormirem cobertos por capote de Brigadianos, razões e luz de meu proceder, norte de todo homem, e fruto de uma união que estava escrita.

     Muitas seriam as palavras de agradecimentos aos meus superiores que nos revezes da vida , me dispensaram para resolver os problemas particulares, sem colocar óbices, perguntando se eu era médico, e nem me cobrando horário, e nem tampouco laudo médico.

     Aos meus auxiliares diretos Flávio e Xavier, deixo a convivência do dia-a-dia sentirei saudades do cafezinho sempre pronto quando eu chegava,o chimarrão,  da presteza e correção de atitudes, capricho e zelo que sempre desenvolveram as missões que lhes foram confiadas, em tempo oportuno farei  o elogio necessário e obrigatório, a estes irmão de farda.

    Aprendi muito com estes homens e tentei repassar aos que me cercavam , sempre uma palavra de otimismo  e encorajamento para que a convivência fosse sempre pacifica e amistosa.
      Passo para a reserva com a certeza que fiz muitas bobagens, acertei bastante e errei bastante, olho para diante e tenho a certeza que vou continuar a certar e errar, e o mais importante é não gastar o nosso curto tempo e energia remoendo mágoas.

Obrigado por tudo.Que Deus,Grande Arquiteto do Universo, Oxalá ou nome que se dê a este Ser de Luz que ilumina nossa caminhada nos guie sempre em busca da virtude de sermos melhores como pessoa. Beijo no coração de vocês todos.

Ten Alves
JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Discurso de Formatura do Curso de Oficias do CBA- 2005

Academia de Polícia Militar















 Aos concluirmos esta etapa da caminhada de nossa vida funcional, é chegado o momento de refletirmos e termos em mente a dimensão de tão importante passo dado para alcançar os objetivos traçados.
     Como seres pensantes e inseridos no contexto da sociedade, enquanto cidadãos e policiais militares é mister que saibamos, que na dinâmica da vida, o mundo se transforma a cada instante, e quem não estiver preparado para isto sucumbirá no vazio escuro da ignorância, despreparo e comodismo.
     Somos do tamanho de nossos sonhos, e sonhar é fazer; os planos são feitos e refeitos, mas os sonhos devem ser sempre e cada vez mais realizados.
     Quando se é lançado ao desafio caminho espinhoso precisa ser calcado passo-a-passo: se a higidez física, as vezes, é claudicante, a jovialidade de espirito é compensadora, e a experiência de quem possui nos sulcos das mãos e rostos, arraigado o mais puro sentimento brigadiano, isso é o bálsamo e a certeza que as pedras do caminho, são meros obstáculos a serem vencidos, para os que sabem  para onde marcham, sem nunca perder o foco de seu destino.
       Viemos dos mais diversos rincões dos Estado, trazendo mochilas de esperanças, e o brilho nos olhos que somente os vencedores possuem, tivermos perdas nos caminho, em vista do fatalismo da vida, e quem teve sua caminhada interrompida pelos desígnios de um ser maior, terá sempre lugar nos nossos corações, e tocaremos nos escaninhos da mente um silêncio eterno com o clarim d' alma.
      Agradecemos ao ser de luz que iluminou nosso caminho, Arquiteto dessa transformação, e nesse sincretismo de credos, convergindo para que a fé sempre falasse mais alto e fosse o porto seguro nas horas de dificuldade e dor.
      Aos Pais que ao assumirem a responsabilidade de gerar novas vidas, regar e cuidar dos reveses da vida, são também atores dessa transformação, e ao término dessa jornada, queremos com simplicidade de filhos retribuir singelamente, este Amor.
         Aos colegas, todos nós sabemos que o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho , é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passos e mudar de curso, cada pessoa que passa em nossa vida é única, deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Até sempre, e a certeza do reencontro eterno.
               Aos Instrutores e professores, nosso agradecimento e profundo respeito, àqueles que na medida de nossa capacidade e potencialidade nos auxiliaram na busca de conhecimentos e realizações, somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos.
          Aos Familiares, quantas lágrimas sufocadas em silêncio, quantas queixas, sofrimentos e desânimo. E nesses momentos, suas palavras, colo e ombro amigos, foram o barco que nos reconduziu de volta ao caminho para que a vitória fosse descortinada diante de nossas vistas.

            Por fim , queremos deixar uma mensagem de esperança e fé : " Não esbraveje diante das trevas, procure acender uma luz",(Confúcio) e lembrem sempre "que existem pessoas que lutam um dia e são boas, existem pessoas que lutam  um ano são muito boas, existem pessoas que lutam vários anos e são melhores, mas há aquelas que lutam toda uma vida, estas são imprescindíveis." (Berthold Brecht)
JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

A Senha

     
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As instituições militares por medida de segurança ao aquartelamento, principalmente à noite, adotam sistemas de códigos e palavras que ficam restritos a efetivo de serviço, conhecidos como "senha" e "contra-senha".No Centro Preparatório de Oficiais da Reserva, havia um Cabo mecânico, que tinha o apelido de “Lagarto”, ao ser caracterizado por algumas atitudes, tais como: tirar uma "siesta" ao sol após o almoço e ter muita semelhança com o réptil. Queria ver o homem furioso era chamá-lo pelo apelido, sabedores disso, a recrutada, fazendo voz em falsete, se escondia pelos cantos do quartel, se mijavam de tanto rir, com o Cabo que fulo da vida, proferia toda a sorte de impropérios aos gozadores.


Certa noite o nosso personagem estava escalado de Cabo da Guarda, o Sargento Adjunto, sabatinou a Guarnição que estava perfilada.
_ Bem pessoal, qual é a senha?
_ Cobra, responderam em uníssono.
_ E a contra-senha?
_ O Cabo da Guarda, respondeu um recruta.
_ Lagarto, é a puta que te pariu, recruta de merda,fiadaputa.


Foi a muito custo para acalmar o Cabo véio que espumava de raiva.Enquanto o recruta virava em pernas, em direção ao mato existente nos fundos do Quartel.
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domingo, 19 de janeiro de 2020

A proposta

   
Mercedes Benz 1113 Cerveja Artesanal Caminhões Brasileiros











Quero neste causo prestar uma grande homenagem àqueles que tive como "professores", quando cheguei no valoroso   9º Batalhão de Policia Militar
Batalhão  "Voluntários da Pátria":
     Pois bem, naquele tempo servia  no Batalhão, um Sargento bravateiro e contador de estória, sempre levantando vantagem, até que um dia ele nos contou uma que ele presenciou numa das tantas rondas da vida. Mês de Janeiro comendo solto, quarenta graus à sombra, o brigadiano, mais de seis horas em pé, os coturnos parecendo uma fornalha, o fardamento grudado no corpo, ele alí firmão, sem frouxar o garrão.Lás cansadas, numa averiguação, avistou um caminhão de bebidas estacionado em local não permitido. Aproximou-se do caminhão e percebeu que era um caminhão carregado de cerveja.Chegou calmamente ,olhou ao redor, e percebeu qua a placa traseira estava encoberta, tapada de barro, foi logo indagando ao motorista:
      __ Tchê, tá com a placa coberta , vô té que multá, além de estacionar em local proibido.
      O motorista dando a entender, que iria dar uma proprina ao "seu guarda", falou:
      ___ Autoridade. Piscou o olho,e falou baixinho. _ Duas cervejinhas não limpam esta placa?
      ___ Mas claro que sim. Quase gritou o brigada, com a lingua grossa, a garganta seca, antegozando o prazer de uma ceva, que mesmo quente trocaria por duas geladas, em algum bar existente na rua, pois era conhecido de todos.
      O motorista subiu na carroceria do caminhão, apanhou duas cervejas, desceu, foi até a cabina, apanhou um pano , destampou as duas cervejas, empapapou o tecido com aquele líquido precioso, e limpou o barro da placa, deixando ela lustrosa, embarcou, ligou o caminhão e se mandou " a la cria, deixando o brigadiano, mais suado, sujo de fuligem e puto da cara.


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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O CANTOR

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Em 1981, no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva na cidade de Porto Alegre, estávamos no período de adaptação como recrutas, instrução noite e dia, pernoite, exercício de vivacidade, o escambau.
O Sargento Disciplina  do nosso Pelotão, recém chegado da Amazônia, onde fizera um curso de Sobrevivência na Selva, chamado carinhosamente por nós de “Vicentão, o Selvagem”.
Mês de Janeiro comendo solto, duas horas da tarde, quarenta graus e pico à sombra, sol cozinhando o cérebro e derretendo tudo pela frente.
O Pelotão em forma, no pátio do Quartel, quer era nada mais nada menos do que, uma quadra coberta de piche, singelamente chamado de “Pista de Neve”, amochilados e equipados, capacete de aço e toda a tralha para combate ,suávamos em bicas. Em posição de sentido, o nosso “amável” Sgt, determinou que cantássemos o Hino Nacional. Começamos a entoar o hino, e o homem nos fuzilando com os olhos e fiscalizando, porém ao chegar perto do negão Gelson, notou que este não cantava. Rangendo os dentes o selvagem perguntou:
_ Por que não estás cantando, estrume!?
_ Por que eu só não manjo, esse “fado”.
_ PORRA TCHÊ!!!_
O Vicentão saindo dos coturnos, berrou tão alto que chegou a estremecer a Torre de comunicação no alto do Morro do Batalhão de `Policia do Exercito, nos fez pagar até cair a noite, além de deixar o negão descansando o fim-de-semana decorando o “fado”.

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Froid explica...


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   Cuidado, mas muito cuidado mesmo ao emitir conceitos definitivos, pois corremos o risco de mais cedo ou mais tarde sermos vitimas de tais colocações (sic).
        Nos bancos escolares das instituições militares, os instrutores são nomeados por sua competência e amplo domínio dos assuntos afins.
           Pois bem, tínhamos um instrutor de Legislação de Transito que era o “cara”, o kid, mas quando enveredava para área da  psicologia ai ele se perdia e eram os momentos mais hilários da aula. O “start” para tal relato, dá-se no momento que a principal causa de perturbação do sossego alheio são esses famigerados carros rebaixados, som no talo, musica de péssima qualidade, geralmente só o motora, ou por outra cheio de caras, sem uma mulher, e nestes tempos do politicamente correto, não se pode nem coloca-los no portas malas, a fim de refletirem e escutarem melhor os seus “hit” ate sangrarem pelos ouvidos  com os tímpanos estourados.Mas sigamos...
O nosso famoso instrutor ao exemplificar casos das verdadeiras barbaridades cometidas nas ruas ceifando vidas, foi buscar na sexualidade razoes para justificar esse mecanismo de compensação, afirmando que muitos motoristas, tem no carro representação fálica , ou seja , quanto maior o carro, camionete ,menor o tamanho do membro sexual. Deixemo-lo explicar “ Olha aqui gurizada, estes caras com som alto , camioneta, tem tudo o pau pequeno , isto quando não forem broxas”
          Belo dia ele chega atrasado e adentra o pátio, dirigindo uma flamante camioneta cabina dupla , musica gauchesca muitíssimo  alta, e não tinha como escapar, o único jeito era passar defronte a tropa que estava em forma,sendo pastilhada pelo disciplina do curso.
Na sala de aula aquele silencio sepulcral , ele com sua tonitruante voz de trovão, sem ao menos dar bom dia, lascou “___ Nem vem seus “fiadaputas”, sei o que vocês estão pensando , este carro não é meu , é da minha mulher, o meu é um “Fiat 147”, todo fodido que nem radio tem

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