sábado, 21 de março de 2020

O Cowboy

                      

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      Nos idos de antigamente, antes da promulgação da constituição, o que imperava nas ações de polícia, era a lei do  “prendo e arrebento”, alguns tem saudade desse tempo, menos mal que os ventos da democracia bafejam as mentes arejadas que um dia ocuparão cargos de Comando.

     Pois, numa noite fria e chuvosa, foi comunicado através do 190, que na Av. Perimetral da cidade havia, num terreno onde estava sendo construído (hoje) um dos maiores edifícios do país, diversos elementos consumindo drogas naquele local.

      Foi despachada, a fim de atender a ocorrência a guarnição do nosso personagem, apreciador nato da canha pura, forte e sem mistura, já à meia-guampa. Ao  chegar no local, o portão estava trancado com um cadeado e uma grossa corrente.O brigada desceu da viatura viu o cadeado e berrou para o patrulheiro.

_ Te afasta, que vou fazê que nem nos filme de mocinho.

Ato continuo, sacou do  38 e babou a balaço o portão, visando estourar o cadeado.

RESULTADO: Os caras fugiram da obra, o cadeado ficou intacto , matou o vira-latas do zelador e  quando retornou ao quartel levou oito dias de cadeia. Ah.. e sem assistir  televisão,  para evitar de ter mais idéias “geniais”.


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O Velho

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O Alemão era um sarro, tava sempre de bom humor e gostava de tomar trago, e por ironia morreu sóbrio.
Certa feita, quando chegou à seção ,o chefe novo, pediu para reunir o pessoal a fim de conhecer e explanar suas metas e planos de trabalho.
Após a apresentação de cada um, a conversa passou para a informalidade, definindo-se que ao final de cada mês faríamos à confraternização da Seção.
Foi quando o alemão falou:
_ Só vou se puder levar o velho.
O chefe muito família, emocionado, respondeu:
- Claro, seu Guilherme é lógico que o senhor pode levar seu pai.
O alemão com a maior cara de pau, explicou.
- Não, senhor, é o Velho Barreiro (*), que sem ele não tem festa.

(*) cachaça famosa nos anos 80.
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O Jogo

Em 1986, tínhamos na 3ª Cia do 9ª BPM, um time de futebol formado por Cb e Sd, quase imbatível, uma das melhores safras produzidas na Escola de Formação, que mesclava aos demais existentes na Companhia, sagrou-se diversas vezes Campeão, nas competições nas quais tomou parte.
Na final memorável contra o 1º BPM, no estádio da APM, devido a campanha ao longo do torneio, era preciso só um empate para sermos campeões.
Foram tomadas todas as providências para a equipe obter o êxito almejado, tais como: dispensa do serviço, alojamento para concentração da equipe, alimentação especial.
O jogo tava uma “fumaceira”, as duas equipes jogando pelo pão, iam na bola com gana e “téson de voluntad” como dizem os castelhanos. Terminando o primeiro tempo zero a zero.
No segundo tempo, aos 15 minutos, foi marcado um pênalti duvidoso contra nós e 1x0, para os homens.
Inferiorizado no placar, providenciei na substituição de um meio campista, por mais um atacante, que pro causo, era um Sd indisciplinado, vida torta, mas de bola sabia tudo e mais um pouco.
Aos 46 min, já nos descontos, ela apanhou a bola no nosso campo, driblou meio time adversário, deu um chapéu no goleiro, ficando com o gol escancarado para o empate.
Súbito, veio da arquibancada, um grito:
_ Chuta em gol, Negão!
O nosso craque, reconhecendo a voz do Cmt, que prestigiava o jogo, lembrou-se das cadeias e prontamente, ficou em posição de sentido.
_ Sim senhor, Cmt!
Tempo suficiente para o goleiro se recuperar, apanhar a bola, o juiz terminar o jogo e nós perdermos o torneio.

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Agradecimento -Passagem para a Reserva

   
        Ao fechar um ciclo da vida funcional com a transferência para a reserva altiva, não poderia deixar de maneira alguma registrar o meu profundo agradecimento para todos que de uma forma ou outra me ajudaram a trilhar o caminho na reta final de minha carreira como Brigadiano.

       O filme que passa na nossa cabeça não é só figura de retórica, lembranças do guri imberbe levado pela mão de um “cabo velho” naquele outono de 1982, para fazer os teste para inclusão na BM,a ti meu pai, bato sempre uma continência eterna. E sei que de onde estás posso te dizer que mossa missão foi cumprida,  teu nome foi resgatado e colocado com a dignidade que sempre mereceste ter..

        À Minha Mãe, mulher de fibra, que quando os tempos sombrios vieram soube com dignidade, criar cinco filhos. Homens e mulheres que não desvirtuaram, visto que as tentações do mundo são muitas.
        À minha Esposa Nara, minha companheira nas horas tristes e alegres, e principalmente parceira, e testemunha de quantas perseguições sofridas, por     sermos casados, e muitos por maldade, colocando empecilhos para que não trabalhássemos juntos, brigadiana de fibra, nascida num Posto da BM  num fundo de campo, as palavras são poucas para agradecer, quantas vezes, estiveste junto comigo para que eu não “enfiasse os pés pelas mão”. Obrigado.

      Aos filhos Priscylla, Allysson e Eliasson, que muitas vezes tiveram que cumprir expediente junto conosco, por não ter com quem deixá-los e dormirem cobertos por capote de Brigadianos, razões e luz de meu proceder, norte de todo homem, e fruto de uma união que estava escrita.

     Muitas seriam as palavras de agradecimentos aos meus superiores que nos revezes da vida , me dispensaram para resolver os problemas particulares, sem colocar óbices, perguntando se eu era médico, e nem me cobrando horário, e nem tampouco laudo médico.

     Aos meus auxiliares diretos Flávio e Xavier, deixo a convivência do dia-a-dia sentirei saudades do cafezinho sempre pronto quando eu chegava,o chimarrão,  da presteza e correção de atitudes, capricho e zelo que sempre desenvolveram as missões que lhes foram confiadas, em tempo oportuno farei  o elogio necessário e obrigatório, a estes irmão de farda.

    Aprendi muito com estes homens e tentei repassar aos que me cercavam , sempre uma palavra de otimismo  e encorajamento para que a convivência fosse sempre pacifica e amistosa.
      Passo para a reserva com a certeza que fiz muitas bobagens, acertei bastante e errei bastante, olho para diante e tenho a certeza que vou continuar a certar e errar, e o mais importante é não gastar o nosso curto tempo e energia remoendo mágoas.

Obrigado por tudo.Que Deus,Grande Arquiteto do Universo, Oxalá ou nome que se dê a este Ser de Luz que ilumina nossa caminhada nos guie sempre em busca da virtude de sermos melhores como pessoa. Beijo no coração de vocês todos.

Ten Alves
JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Discurso de Formatura do Curso de Oficias do CBA- 2005

Academia de Polícia Militar















 Aos concluirmos esta etapa da caminhada de nossa vida funcional, é chegado o momento de refletirmos e termos em mente a dimensão de tão importante passo dado para alcançar os objetivos traçados.
     Como seres pensantes e inseridos no contexto da sociedade, enquanto cidadãos e policiais militares é mister que saibamos, que na dinâmica da vida, o mundo se transforma a cada instante, e quem não estiver preparado para isto sucumbirá no vazio escuro da ignorância, despreparo e comodismo.
     Somos do tamanho de nossos sonhos, e sonhar é fazer; os planos são feitos e refeitos, mas os sonhos devem ser sempre e cada vez mais realizados.
     Quando se é lançado ao desafio caminho espinhoso precisa ser calcado passo-a-passo: se a higidez física, as vezes, é claudicante, a jovialidade de espirito é compensadora, e a experiência de quem possui nos sulcos das mãos e rostos, arraigado o mais puro sentimento brigadiano, isso é o bálsamo e a certeza que as pedras do caminho, são meros obstáculos a serem vencidos, para os que sabem  para onde marcham, sem nunca perder o foco de seu destino.
       Viemos dos mais diversos rincões dos Estado, trazendo mochilas de esperanças, e o brilho nos olhos que somente os vencedores possuem, tivermos perdas nos caminho, em vista do fatalismo da vida, e quem teve sua caminhada interrompida pelos desígnios de um ser maior, terá sempre lugar nos nossos corações, e tocaremos nos escaninhos da mente um silêncio eterno com o clarim d' alma.
      Agradecemos ao ser de luz que iluminou nosso caminho, Arquiteto dessa transformação, e nesse sincretismo de credos, convergindo para que a fé sempre falasse mais alto e fosse o porto seguro nas horas de dificuldade e dor.
      Aos Pais que ao assumirem a responsabilidade de gerar novas vidas, regar e cuidar dos reveses da vida, são também atores dessa transformação, e ao término dessa jornada, queremos com simplicidade de filhos retribuir singelamente, este Amor.
         Aos colegas, todos nós sabemos que o que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho , é ajudar os outros a vencer, mesmo que isso signifique diminuir o passos e mudar de curso, cada pessoa que passa em nossa vida é única, deixa um pouco de si e leva um pouco de nós. Até sempre, e a certeza do reencontro eterno.
               Aos Instrutores e professores, nosso agradecimento e profundo respeito, àqueles que na medida de nossa capacidade e potencialidade nos auxiliaram na busca de conhecimentos e realizações, somos o que fazemos, mas somos principalmente o que fazemos para mudar o que somos.
          Aos Familiares, quantas lágrimas sufocadas em silêncio, quantas queixas, sofrimentos e desânimo. E nesses momentos, suas palavras, colo e ombro amigos, foram o barco que nos reconduziu de volta ao caminho para que a vitória fosse descortinada diante de nossas vistas.

            Por fim , queremos deixar uma mensagem de esperança e fé : " Não esbraveje diante das trevas, procure acender uma luz",(Confúcio) e lembrem sempre "que existem pessoas que lutam um dia e são boas, existem pessoas que lutam  um ano são muito boas, existem pessoas que lutam vários anos e são melhores, mas há aquelas que lutam toda uma vida, estas são imprescindíveis." (Berthold Brecht)
JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

A Senha

     
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As instituições militares por medida de segurança ao aquartelamento, principalmente à noite, adotam sistemas de códigos e palavras que ficam restritos a efetivo de serviço, conhecidos como "senha" e "contra-senha".No Centro Preparatório de Oficiais da Reserva, havia um Cabo mecânico, que tinha o apelido de “Lagarto”, ao ser caracterizado por algumas atitudes, tais como: tirar uma "siesta" ao sol após o almoço e ter muita semelhança com o réptil. Queria ver o homem furioso era chamá-lo pelo apelido, sabedores disso, a recrutada, fazendo voz em falsete, se escondia pelos cantos do quartel, se mijavam de tanto rir, com o Cabo que fulo da vida, proferia toda a sorte de impropérios aos gozadores.


Certa noite o nosso personagem estava escalado de Cabo da Guarda, o Sargento Adjunto, sabatinou a Guarnição que estava perfilada.
_ Bem pessoal, qual é a senha?
_ Cobra, responderam em uníssono.
_ E a contra-senha?
_ O Cabo da Guarda, respondeu um recruta.
_ Lagarto, é a puta que te pariu, recruta de merda,fiadaputa.


Foi a muito custo para acalmar o Cabo véio que espumava de raiva.Enquanto o recruta virava em pernas, em direção ao mato existente nos fundos do Quartel.
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domingo, 19 de janeiro de 2020

A proposta

   
Mercedes Benz 1113 Cerveja Artesanal Caminhões Brasileiros











Quero neste causo prestar uma grande homenagem àqueles que tive como "professores", quando cheguei no valoroso   9º Batalhão de Policia Militar
Batalhão  "Voluntários da Pátria":
     Pois bem, naquele tempo servia  no Batalhão, um Sargento bravateiro e contador de estória, sempre levantando vantagem, até que um dia ele nos contou uma que ele presenciou numa das tantas rondas da vida. Mês de Janeiro comendo solto, quarenta graus à sombra, o brigadiano, mais de seis horas em pé, os coturnos parecendo uma fornalha, o fardamento grudado no corpo, ele alí firmão, sem frouxar o garrão.Lás cansadas, numa averiguação, avistou um caminhão de bebidas estacionado em local não permitido. Aproximou-se do caminhão e percebeu que era um caminhão carregado de cerveja.Chegou calmamente ,olhou ao redor, e percebeu qua a placa traseira estava encoberta, tapada de barro, foi logo indagando ao motorista:
      __ Tchê, tá com a placa coberta , vô té que multá, além de estacionar em local proibido.
      O motorista dando a entender, que iria dar uma proprina ao "seu guarda", falou:
      ___ Autoridade. Piscou o olho,e falou baixinho. _ Duas cervejinhas não limpam esta placa?
      ___ Mas claro que sim. Quase gritou o brigada, com a lingua grossa, a garganta seca, antegozando o prazer de uma ceva, que mesmo quente trocaria por duas geladas, em algum bar existente na rua, pois era conhecido de todos.
      O motorista subiu na carroceria do caminhão, apanhou duas cervejas, desceu, foi até a cabina, apanhou um pano , destampou as duas cervejas, empapapou o tecido com aquele líquido precioso, e limpou o barro da placa, deixando ela lustrosa, embarcou, ligou o caminhão e se mandou " a la cria, deixando o brigadiano, mais suado, sujo de fuligem e puto da cara.


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