segunda-feira, 11 de julho de 2016

Soneto de (In) Fidelidade





Se, mudo de amante ,eu não aguento!

Nunca pelo desmazelo, pois sempre sustento

É a velhice chegando nas asas do vento;

Pois, até despir a roupa, causa sofrimento!



Quando a noite o sonho for tormento,

Nem um doutor, nem uma mãe-de-santo

Hão de ver meu siso num esgar de espanto,

Para benzer ou mitigar meu sofrimento,





Em mim tua lembrança, cruel me torture

Quem teve a sorte,e astúcia de detetive

Quem teve a lassidão,  na grama e lama.





Rezo que a ereção  sempre perdure.
Eu possa te dizer o pavor(que tive):

No bacanal o viagra, jazer sob a cama.


JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES















sexta-feira, 1 de julho de 2016

PRAÇA XV Nº 16


PRAÇA XV Nº 16


O amigo Oculto

" Alguns segredos devem permanecer escondidos. "





          Todo mês de março, após a ressaca das férias, quando a vida começa lentamente a tomar conta de nós e o ano finalmente parece que vai deslanchar, uma das tarefas que não se pode abrir mão, para quem tem filhos em idade escolar.É a romaria de pais, levando a tiracolo as famigeradas listas de materiais a serem comprados, a fim de encarar o ano letivo.


              Munidos de paciência, tempo, pouco dinheiro, fomos cumprir a gincana de: Pergunta daqui? Especula dali? Pechincha acolá?

Após semanas de intensa aventura, por livrarias, feiras e a grande novidade do momento: As lojas de preço único. Finalmente, quando se pensa que tudo está resolvido...


A pergunta vem, rascante, seca e implacável, no intervalo do Jornal Nacional, no exato momento do ajeitar da erva na cuia.
__ E a mochila, Pai?



Mochila:  serve para causar deslocamento na coluna,carregar livros, cadernos, mini-games, merenda; no caso dos adolescentes o inseparável telefone celular ( que nunca tem cartão e/ou está na caixa postal,e as vezes como certos centroavantes “fora da área de cobertura”), e nos intervalos dos recreios, recheada de jornais serve também de bola.



Isto posto, refeitos do susto , os calos e a bolhas dos pés, já sofrendo de antemão, vamos dormir e ter sonhos coloridos com mochilas, merendeiras, malas e todo o tipo de bagageiro.



Após um dia de trabalho, a caminho de casa, chegamos numa banca de camelôs, com artigos importados, bugigangas “paraguayas”, onde estavam expostas diversas mochilas.



Fomos atendidos por um casal jovem, atenciosos e solícitos, e uma graça de criança que estava no carinho, que chamava atenção pelo intenso azul de seus olhos e os cabelos louros cacheados.



Mas, como filho que estuda pela manhã, e mora dentro da televisão à tarde, se não for mochila do “POWER RANGERS”, não serve.



Voltamos a banca para trocar a mochila. Só que desta vez ao invés do simpático casal com seu lindo bebê, quem nos atende, é um senhor grisalho. Diante da pergunta inevitável, por eles, o surpreso vendedor, nos argumentou que faria a troca da mercadoria, e era proprietário daquela banca naquele local a mais de dez anos, e não conhecia nenhum casal conforme a descrição feita por nós, no que foi corroborado pelo demais proprietários de bancas da rua.



Ainda, sestrosos e incrédulos, fomos abordados por um vendedor de cahorro-quente, que ouvia a conversa:



__ Olha, senhor, um casal com estas características, teve uma banca aqui, há mais ou menos quinze anos, mas foram mortos num assalto junto com seu filhinho.
Pesquisando, nos arquivos da Policia , descobri num jornal de quinze anos atrás, com a seguinte manchete:
CRIME NA PRAÇA
 “Casal de artesões é barbaramente assassinado, junto com seu filho.
     Nas fotos que ilustravam a reportagem, estava o simpático casal, que nos vendera a mochila e seu filho  tinha o sorriso mais radiante, que nunca.




JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES

terça-feira, 28 de junho de 2016

Frases,ora frases

Da posse


“ Algumas pessoas adotam filhos, animais de estimação e uma série de quinquilharias inimagináveis; Os poetas adotam uma mesa de bar, um canto só deles, e disso não abrem mão nunca"


Ninho desfeito

"Filhos são pássaros,voam, quebram a gaiola, e as cobertas amarfanhadas, dão a exata noção, de ninho vazio

Tristecidade

Sempre tive mais admiraçao por aqueles que ficam serio, as vezes, carrancudos;e menos por aqueles que riem de tudo e para todos,porque esses sempre escondem alguma tristeza.


JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES

domingo, 26 de junho de 2016

FREE STYLE ( ou voltar a nadar após trinta anos)

FREE STYLE ( ou voltar a nadar após trinta anos)



Uma braçadinha, duas braçadinhas.
Bravo!
Duas braçadinhas, três braçadinhas.
Bravo!!  Bravo!!
Cinco braçadinhas, seis braçadinhas.
Bravo!!! Bravo!!! Bravo!!!
Agora bate os pés, prende o ar, respira
respiraçao unilateral, bilateral 
Bravo!!! Bravo!!! Bravo!!! Bravo!!!
Sei... foi salva-vidas? Hum, Hum
Se bem com estes braços...parece que sim

Agora  mãos em concha , chuta a água, prende o ar, respira
Vai na prancha, bate os pés, mergulha e volta.
Junta as pernas, ergue a bunda e bate os braços.
Bravo!!!

Não liga para cãibra, a borda é logo ali
Enche os óculos d’água, a touca não deixa afundar
Dor é psicológica
Bravo!!! Bravo!!! Bravo!!! Bravo!!!

Ok. Até a próxima aula tio
Tio!? Tioo!? , Tiiooo!!!
Ué... Desmaiou.
JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Noite Plantas Saudade e Avores

Das Noites


"O inquietante de não se ter a pessoa amada,sempre ao nosso lado em carne e osso. E, que se usarmos o mesmo perfume que ela usa. Sempre irá faltar, o ingrediente inebriante do suor quente, aconchegante. E, principalmente, afrodisíaco."

Da Saudade

" Pior que a saudade que sentimos dos mortos,uma vez que é fato consumado. E a saudade que sentimos dos vivos,e , mais dolorosamente de nós próprios. "



Das Árvores


“Aquele contorno escuro,. acima das árvores, que só podemos observar de madrugada, junto as florestas, é a alma das árvores derrubadas, que permanecem vivas."





DaPlantas


" Não há dúvida, se as plantas são artificiais ou verdadeiras; só as verdadeiras sangram, quando são rasgadas "

JOÃO DE DEUS VIEIRA ALVES




quinta-feira, 16 de junho de 2016

VOO e PRISÃO


                                   VOO

No meio da noite sonho
e o frio é intenso
Espreito o escuro e, nada...

Com vontade de gritar
Mas, correr para onde?
Estou perdido e com medo

Passos ressoam pela calçada
Alguém vindo
A pressão aumenta
A angústia sufoca
A cabeça gira
O corpo já não obedece
Os sentidos entorpecidos
"Foge,Johny,Foge"

Viagem sem retorno
Quero luz!
Rompam-se barreiras
Quero voar!

Sei que posso
É só tentar
Não existem pássaros em cadeiras de rodas
JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES



                                  PRISÃO

Criança eu sou
Menino levado
Quero brinquedo
Quero colo


Caco de vidro no pé
Meu ursinho de estimação
Bimba-balão, bola, doce
Sorriso livre

Sonhos na janela
Calçadas molhadas
Pipas no ar
Pião, roda, pião

Que bom, mamãe
Todos estão felizes

Corro com eles
Vibro!
E... choro na prisão de minha paralisia infantil

JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES