sábado, 21 de março de 2020

Lógica

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Certa feita, foi me determinado que fizesse carga de caixa de ferramentas para as viaturas pertencentes ao Gabinete do Comandante-Geral e Chefia do Estado-Maior da Brigada Militar. Fomos até o Centro de Subsistência Manutenção, o Cabo Véio( não sito o nome pelo respeito que tenho a este veterano que me ensinou muito)  como motorista e eu, para receber o material, assinar guia, etc.
Na conferência, as ferramentas estavam conforme rezava a guia de fornecimento, quando o Cabo veio exclamando aos brados, discordava do Sargento que fornecia o material:
_ Tudo bem,sargento,só que este cabo para ligar na bateria para alguma emergência,"percisa" de duas "lâmpidas".
_ Porque, cabo? Perguntou o Sargento intrigado.
_ Ora, que pergunta, uma de 110 wolts e outra de 220, imagina se a viatura entra em "pânico" no interior, lá a voltagem é outra,tchê!.

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O CÃO

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                Havia num Quartel do interior, um Cabo ordenança, puxa-saco dos bons, gostava de empilhar e fazer o Chefe sonhar, braseiro era ele, o resto era fichinha, a soldadesca queria ser amiga do diabo, do que deste “colega”. O homem tinha o dedo gessado. Se é que me entendem?
            Quando o Comandante chegava o chimarrão estava pronto, a mesa limpa, tudo no maior asseio, e o vaselina ali se desmanchando em mesuras, com aquele sorrisinho de hiena no canto da boca.
        Numa viagem de inspeção o Comandante foi presenteado com um cachorrinho, pelo pessoal da comunidade, e batizado de “Tico”.
         Porem o animalzinho, não caiu nas graças do ordenança, que sentindo que perdia espaço, aproveitava as ausências do Chefe, pra sacanear e pregar peças no bichinho., porque sabia que aquela belezinha ia transformar-se num cachorrão e ia sobrar prá ele cuidar do monstro. 
           Um belo dia, o chefe chegou de inopino, (ou como diria um instrutor da Escola de Formação de Soldados  “ainopaino” ou sine dei “saineday”, mas isso é outra estória) e pegou o veterano no exato momento em que aplicava sonoro pontapé no cachorro.
Diante de tal atitude o Chefe, prendeu o ordenança.
_ Estás preso por maltratar o animal, e estou te passando a pronto. E saiu para uma reunião com o pessoal do Lyons e Forças vivas da cidade que aguardavam na Sala contígua.
     O Ordenança, apavorado. Tentando caminhar na posição de sentido, com os braços colados ao longo do corpo, junto a perna, balançava a cabeça, e exclamava aos berros pelo corredor, para que toda a Unidade ouvisse:
_ O senhor não pode fazer isso comigo, saiba que eu sou apaixonado e adoro o “seu tiquinho”.



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O Cowboy

                      

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      Nos idos de antigamente, antes da promulgação da constituição, o que imperava nas ações de polícia, era a lei do  “prendo e arrebento”, alguns tem saudade desse tempo, menos mal que os ventos da democracia bafejam as mentes arejadas que um dia ocuparão cargos de Comando.

     Pois, numa noite fria e chuvosa, foi comunicado através do 190, que na Av. Perimetral da cidade havia, num terreno onde estava sendo construído (hoje) um dos maiores edifícios do país, diversos elementos consumindo drogas naquele local.

      Foi despachada, a fim de atender a ocorrência a guarnição do nosso personagem, apreciador nato da canha pura, forte e sem mistura, já à meia-guampa. Ao  chegar no local, o portão estava trancado com um cadeado e uma grossa corrente.O brigada desceu da viatura viu o cadeado e berrou para o patrulheiro.

_ Te afasta, que vou fazê que nem nos filme de mocinho.

Ato continuo, sacou do  38 e babou a balaço o portão, visando estourar o cadeado.

RESULTADO: Os caras fugiram da obra, o cadeado ficou intacto , matou o vira-latas do zelador e  quando retornou ao quartel levou oito dias de cadeia. Ah.. e sem assistir  televisão,  para evitar de ter mais idéias “geniais”.


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O Velho

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O Alemão era um sarro, tava sempre de bom humor e gostava de tomar trago, e por ironia morreu sóbrio.
Certa feita, quando chegou à seção ,o chefe novo, pediu para reunir o pessoal a fim de conhecer e explanar suas metas e planos de trabalho.
Após a apresentação de cada um, a conversa passou para a informalidade, definindo-se que ao final de cada mês faríamos à confraternização da Seção.
Foi quando o alemão falou:
_ Só vou se puder levar o velho.
O chefe muito família, emocionado, respondeu:
- Claro, seu Guilherme é lógico que o senhor pode levar seu pai.
O alemão com a maior cara de pau, explicou.
- Não, senhor, é o Velho Barreiro (*), que sem ele não tem festa.

(*) cachaça famosa nos anos 80.
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O Jogo

Em 1986, tínhamos na 3ª Cia do 9ª BPM, um time de futebol formado por Cb e Sd, quase imbatível, uma das melhores safras produzidas na Escola de Formação, que mesclava aos demais existentes na Companhia, sagrou-se diversas vezes Campeão, nas competições nas quais tomou parte.
Na final memorável contra o 1º BPM, no estádio da APM, devido a campanha ao longo do torneio, era preciso só um empate para sermos campeões.
Foram tomadas todas as providências para a equipe obter o êxito almejado, tais como: dispensa do serviço, alojamento para concentração da equipe, alimentação especial.
O jogo tava uma “fumaceira”, as duas equipes jogando pelo pão, iam na bola com gana e “téson de voluntad” como dizem os castelhanos. Terminando o primeiro tempo zero a zero.
No segundo tempo, aos 15 minutos, foi marcado um pênalti duvidoso contra nós e 1x0, para os homens.
Inferiorizado no placar, providenciei na substituição de um meio campista, por mais um atacante, que pro causo, era um Sd indisciplinado, vida torta, mas de bola sabia tudo e mais um pouco.
Aos 46 min, já nos descontos, ela apanhou a bola no nosso campo, driblou meio time adversário, deu um chapéu no goleiro, ficando com o gol escancarado para o empate.
Súbito, veio da arquibancada, um grito:
_ Chuta em gol, Negão!
O nosso craque, reconhecendo a voz do Cmt, que prestigiava o jogo, lembrou-se das cadeias e prontamente, ficou em posição de sentido.
_ Sim senhor, Cmt!
Tempo suficiente para o goleiro se recuperar, apanhar a bola, o juiz terminar o jogo e nós perdermos o torneio.

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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Agradecimento -Passagem para a Reserva

   
        Ao fechar um ciclo da vida funcional com a transferência para a reserva altiva, não poderia deixar de maneira alguma registrar o meu profundo agradecimento para todos que de uma forma ou outra me ajudaram a trilhar o caminho na reta final de minha carreira como Brigadiano.

       O filme que passa na nossa cabeça não é só figura de retórica, lembranças do guri imberbe levado pela mão de um “cabo velho” naquele outono de 1982, para fazer os teste para inclusão na BM,a ti meu pai, bato sempre uma continência eterna. E sei que de onde estás posso te dizer que mossa missão foi cumprida,  teu nome foi resgatado e colocado com a dignidade que sempre mereceste ter..

        À Minha Mãe, mulher de fibra, que quando os tempos sombrios vieram soube com dignidade, criar cinco filhos. Homens e mulheres que não desvirtuaram, visto que as tentações do mundo são muitas.
        À minha Esposa Nara, minha companheira nas horas tristes e alegres, e principalmente parceira, e testemunha de quantas perseguições sofridas, por     sermos casados, e muitos por maldade, colocando empecilhos para que não trabalhássemos juntos, brigadiana de fibra, nascida num Posto da BM  num fundo de campo, as palavras são poucas para agradecer, quantas vezes, estiveste junto comigo para que eu não “enfiasse os pés pelas mão”. Obrigado.

      Aos filhos Priscylla, Allysson e Eliasson, que muitas vezes tiveram que cumprir expediente junto conosco, por não ter com quem deixá-los e dormirem cobertos por capote de Brigadianos, razões e luz de meu proceder, norte de todo homem, e fruto de uma união que estava escrita.

     Muitas seriam as palavras de agradecimentos aos meus superiores que nos revezes da vida , me dispensaram para resolver os problemas particulares, sem colocar óbices, perguntando se eu era médico, e nem me cobrando horário, e nem tampouco laudo médico.

     Aos meus auxiliares diretos Flávio e Xavier, deixo a convivência do dia-a-dia sentirei saudades do cafezinho sempre pronto quando eu chegava,o chimarrão,  da presteza e correção de atitudes, capricho e zelo que sempre desenvolveram as missões que lhes foram confiadas, em tempo oportuno farei  o elogio necessário e obrigatório, a estes irmão de farda.

    Aprendi muito com estes homens e tentei repassar aos que me cercavam , sempre uma palavra de otimismo  e encorajamento para que a convivência fosse sempre pacifica e amistosa.
      Passo para a reserva com a certeza que fiz muitas bobagens, acertei bastante e errei bastante, olho para diante e tenho a certeza que vou continuar a certar e errar, e o mais importante é não gastar o nosso curto tempo e energia remoendo mágoas.

Obrigado por tudo.Que Deus,Grande Arquiteto do Universo, Oxalá ou nome que se dê a este Ser de Luz que ilumina nossa caminhada nos guie sempre em busca da virtude de sermos melhores como pessoa. Beijo no coração de vocês todos.

Ten Alves
JOAO DE DEUS VIEIRA ALVES